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Indústria madeireira investe em padronização e certificação

Normalização

14/07/2014

Fabricantes de compensado, madeira serrada e portas acreditam que investimento irá garantir mais qualidade aos produtos e ampliação de mercado

                O setor de madeira processada mecanicamente está cada vez mais ativo quando o assunto é certificação. Além do avanço obtido pelos fabricantes de compensado que fazem parte da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e contam, desde 2003, com o Programa Nacional de Qualidade da Madeira (PNQM) como forma de controle do processo produtivo, os produtores do compensado plastificado também avançaram na discussão de propostas visando a criação de parâmetros mínimos de produção. Em setembro, em novo encontro nacional do segmento a ser promovido pela Abimci, deve ser lançado o guia técnico orientativo, destinado ao mercado consumidor, que irá trazer informações que contribuam para uma melhor padronização dos produtos.

                Outra categoria de produto que está trabalhando na normalização é a de madeira serrada. Em março, a Abimci, gestora do CB-31, reativou a comissão de estudos que trata da madeira serrada dentro da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O grupo já fez as primeiras avaliações necessárias para a compilação das informações e normas já anteriormente publicadas e disponíveis para, na sequência, enviar o texto final atualizado para consulta pública.

Daniel Berneck, presidente da Comissão de Estudos de madeira serrada, afirma que o mercado florestal precisa se acostumar a ter normas. Segundo ele, cabe à comissão direcionar o mercado para que a madeira seja mais consumida na construção civil. “Nosso objetivo é a comercialização da madeira. Precisamos de uma norma que englobe todas as utilizações desse material construtivo. Assim, vamos padronizar o produto, como acontece nos Estados Unidos. Sem a padronização e a normalização, não há confiança para usar a madeira estrutural”, comenta.

Para o superintendente executivo da Abimci, Paulo Pupo, sem produtos conformes, não haverá crescimento do uso da madeira na construção civil brasileira, por exemplo. “Padronizando os produtos, certamente, vai aumentar o consumo de madeira e conseguiremos inserir os produtos madeireiros no escopo de financiamento junto a órgãos oficiais, como BNDES, Caixa Econômica Federal e demais agentes financiadores”, garante Pupo.

Um passo a frente

O produto que mais avançou quando o assunto é normalização é o setor de portas. Desde abril, o mercado já conta com os primeiros produtos (folha da porta de madeira) de nove marcas aprovados pela ABNT Certificadora de acordo com a NBR 15930 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Os produtos certificados passaram por um rigoroso controle de qualidade de produção, que incluiu testes físicos e mecânicos de avaliação do desempenho. Todo o trabalho foi realizado por meio do Programa Setorial da Qualidade para Portas de Madeira de Edificações (PSQ-PME), desenvolvido pela Abimci em parceria com a ABNT Certificadora e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) através dos laboratórios do CETAC (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído).

Para o empresário Fábio Ayres Marchetti, empresário do setor sediado em Santa Catarina, com a certificação inicia-se uma nova fase que será a de consolidar a certificação no mercado. “Temos a solução completa para os problemas de desempenho do mercado atendendo a demanda da norma de desempenho NBR 15575. Em Santa Catarina, por exemplo, as construtoras já informaram que há a necessidade de adquirir produtos certificados”, afirmou.

Com atividades técnicas constantes e ensaios contínuos, o PSQ-PME em breve anunciará ao mercado novos produtos certificados, como novas marcas de folha de porta de madeira além dos primeiros kits porta pronta.

Além disso, já está sendo amplamente discutido na comissão de estudos de portas, dentro do CB-31, o estudo das partes 3 (requisitos adicionais como portas acústicas e corta-fogo) e 4 (instalação e manutenção) da norma NBR 15930.

Também está sendo feita uma aproximação com as indústrias de ferragens para que elas passem a produzir itens específicos para o setor de portas e garantir assim o desempenho do conjunto certificado.

Na avaliação do superintendente executivo, essas ações mostram o importante papel que a Abimci, como entidade representativa da indústria de madeira processada no Brasil, vem desempenhando ao longo desses 42 anos de atuação. “Por meio do associativismo é possível unirmos força para alavancar ainda mais o desenvolvimento do setor. A busca pela melhoria da qualidade, com a implantação de normas e padrões, prepara o segmento madeireiro para conquistar um espaço cada vez maior no mercado nacional e retomar o prestígio internacional”, conclui Pupo.

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