Notícias

Indústria de madeira brasileira mostra pequena retomada das exportações em 2014

Mercado, Notícias

09/01/2015

Apesar do leve crescimento, o levantamento realizado pela Abimci demonstra que os números ainda não são suficientes para garantir a sustentabilidade das empresas brasileiras

Os dados das exportações da indústria de madeira brasileira apontaram pequenas recuperações da indústria em alguns segmentos. O levantamento realizado pela Abimci demonstra que a retomada ainda é insuficiente para garantir a sustentabilidade das empresas, que sofrem também com dificuldades de consumo no mercado interno, mas já dá mostras do potencial de crescimento e retomada do produto brasileiro no mercado internacional.

O coordenador do Comitê de Relações Internacionais da instituição, Isac Zugman, destaca que o aumento da demanda dos produtos pelos Estados Unidos teve papel fundamental no resultado do ano. “Com a melhoria da taxa de câmbio e a retomada da construção civil naquele país, a volta ao mercado americano foi fundamental para o crescimento das exportações. Além disso, essa demanda ajudou na melhoria dos preços de venda também para a Europa e outros setores, impulsionando os resultados”, afirmou.

Para Zugman, o ritmo de crescimento presente no último trimestre deve se manter. “A expectativa é de que o ritmo de crescimento das exportações se mantenha em 2015. As perspectivas para os Estados Unidos estão boas e é preciso aguardar delineamento das economias da Europa que ainda se mantêm indefinidas em função do período de férias e inverno, que reduzem o consumo. Mas, de forma geral, esperamos que a recuperação se mantenha”, afirmou.

Segmentos

No segmento de madeira serrada de pinus segundo o levantamento, houve evolução no volume exportado. De acordo com os dados apurados pela Abimci, as indústrias brasileiras exportaram 992.557 metros cúbicos do produto em 2014, contra 746.013 metros cúbicos enviados ao exterior no ano anterior.

O crescimento do produto, apesar de ficar aquém do necessário, deu esperança aos industriais, uma vez que o aumento maior nos índices é necessário para repor os investimentos já realizados nas serrarias. Entre os principais destinos da madeira serrada de Pinus estão os Estados Unidos, Arábia Saudita e China. Mas, o envio regular do produto para outros 40 países consumidores, também mostra o potencial brasileiro para o crescimento das vendas externas.

Outro segmento que teve leve crescimento no volume de exportação em 2014 foi o de compensado de pinus. No total, foram enviados ao mercado externo cerca de 1,27 milhão de metros cúbicos do produto. Em 2013 haviam sido vendidos ao mercado externo aproximadamente 1,16 milhão de metros cúbicos. A Europa ainda é o principal destino do produto, mas mercados importantes como África e América Central tem mostrado importante evolução.

 “Notadamente houve uma melhor média de volume exportado nos meses do segundo semestre, certamente ajudado um pouco pelo câmbio, mas também por uma ligeira recuperação dos embarques para os Estados Unidos e o excelente desempenho do compensado certificado brasileiro nos principais mercados compradores”, explicou o superintendente da Abimci, Paulo Pupo.

Os embarques de lâminas de pinus também tiveram um pequeno crescimento em relação a 2013, mas o volume exportado ainda é pequeno frente ao potencial. Coreia, China e Turquia são os principais destinos desse produto brasileiro, impulsionados por programas específicos de fornecimento.

Já o compensado tropical, que perdeu mercado nos últimos anos, sobretudo em função da concorrência com a China, apresentou queda também em 2014 em relação ao ano anterior. O laminado tropical teve crescimento moderado, mas o volume exportado é pouco significativo, restrito a poucas empresas exportadoras nas regiões Centro Oeste e Norte.

Para o coordenador do Comitê de Compensado Tropical, Paulo Cavalcanti, as perspectivas de crescimento do setor para este ano são pequenas. “Hoje existe perspectiva de exportação apenas em alguns nichos, como chapas especiais ou termofilme com madeira tropical, mas que representam um volume pequeno frente ao total da produção. Não acredito em uma ampla recuperação do segmento no mercado externo, que é muito difícil de ser retomando em função da concorrência com a China. Basta olhar os números de exportação de sete anos atrás. Antes, eram exportados 30 mil metros cúbicos por mês, volume hoje menor que o somatório do ano”, comentou.

O segmento de madeira serrada tropical acompanhou a tendência do compensado e o volume de exportação se manteve estável entre 2013 e 2014. No ano passado, foram exportados 376 mil metros cúbicos do produto, um número bastante reduzido frente aos resultados de seis anos atrás, que somavam mais de 1 milhão de metros cúbicos exportados.

O setor de pisos também está em expansão. As exportações de pisos maciços foram ampliadas em relação aos embarques de 2013. De acordo com a Abimci, estes números remetem aos volumes embarcados em 2009, último ano antes da crise econômica americana, o que mostra uma recuperação importante. Para o segmento, os principais destinos são Estados Unidos e França.

Os pisos engenheirados tiveram pequena queda de volume, mas o volume exportado se manteve próximo à média dos últimos três anos, sendo Estados Unidos, Chile e Guatemala os principais importadores.

Segundo o coordenador do Comitê de Pisos da Abimci, Douglas Granemann de Souza, o incremento observado no caso dos pisos sólidos está sendo calculado sobre uma base bastante baixa, o que diminui o impacto do aumento nas exportações. Já no caso dos pisos engenheirados, havia ocorrido maior incremento nas vendas internacionais em 2013, sendo que o ano passado foi de estabilidade para os embarques do produto.

Espera-se para 2015 um maior incremento, sobretudo em função da retomada do mercado consumidor americano”, afirmou Souza. Além da recuperação dos Estados Unidos, segundo o coordenador, também favorecem as vendas brasileiras o aumento de custos de produção na China, que está reduzindo a agressividade do país na disputa por mercados.

Já o segmento de portas exportou basicamente material maciço, repetindo a média de embarques dos últimos três anos. A maior parte das exportações é destinada aos Estados Unidos e Reino Unido.

Molduras

Outro segmento importante na exportação nacional das empresas brasileiras de madeira são as molduras, produto do qual o Brasil é um fornecedor importante, principalmente para o mercado americano. A partir deste mês de janeiro, a Abimci passa a monitorar também os embarques dos produtos por meio de suas empresas associadas e deverá divulgar a evolução dos números nos próximos estudos.