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Brasil pode se beneficiar com disputas entre EUA e China

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17/09/2019

A programação do 3º WoodTrade Brazil, evento técnico promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e Malinovski, trouxe a diretora executiva da International Wood Products Association (IWPA), Cindy Squires, para falar sobre a “Visão geral do mercado dos EUA e o que esperar em um futuro próximo”.

Para contextualizar o mercado mundial, a diretora executiva abordou a guerra comercial entre Estados Unidos e China, cenário esse que trouxe algumas incertezas quanto a alguns possíveis desdobramentos, mas, ao mesmo tempo, a necessidade de mudanças rápidas para diversos países quanto às relações comerciais.

Na opinião de Cindy, por conta disso, o Brasil está numa posição boa para suprir a demanda, pois a gama de produtos brasileiros é muito ampla, o que faz com que o país possa atender à demanda de diversos mercados.

“As negociações estão acontecendo, e a ‘dor’ está sendo sentida pelos americanos. Isso vai impactar nos preços. Há muitos esforços para encontrar ajuda. Estamos buscando oportunidades além da China”, afirmou.

“As mudanças são difíceis de prever, mas o Brasil está numa posição boa. Porém, é importante dizer que o que está acontecendo na Amazônia vai influenciar nas conversas, pois as pessoas estão falando sobre isso”, analisou.

Sobre o tema, a diretora citou a preocupação dos Estados Unidos, lembrando que existe, por exemplo, uma proposta de Lei para banir a compra de produtos que podem ter ligação com o desmatamento. Ela explicou que há muitas interpretações para definir “desmatamento” e lembrou que a discussão sobre o tema foi para o Senado Americano, mas a Lei não foi aprovada. Porém, espera-se em breve a reintrodução desse assunto na pauta legislativa norte-americana.

Outro ponto que merece atenção é com relação à identificação das espécies florestais para a entrada no mercado americano. Segundo Cindy, é preciso identificar corretamente com qual espécie o produto foi produzido já que essa conferência tem sido mais rigorosa nos Estados Unidos. “Nosso conselho é que as empresas façam a checagem da espécie antes de o produto chegar aos EUA, porque, uma vez no destino e com informações erradas, será preciso admitir ao governo que a empresa cometeu erros”, destacou.

Por conta disso, a diretora executiva sugeriu que, quando se refere a espécies nativas/tropicais, as empresas brasileiras reforcem os procedimentos para identificação dessas espécies que podem ser comercializadas e assim promovê-las de forma sustentável.

Ela abordou, ainda, que a preocupação com o meio ambiente está cada vez mais frequente e, para atender essas exigências, algumas certificações passaram a exigir a rastreabilidade dos produtos. “Estão sendo pedidos mapas das fontes e avaliações das espécies envolvidas. O Brasil precisa lidar com esse assunto e não se surpreender se forem exigidos testes de espécies e rastreabilidade, por exemplo. É preciso se adequar. Um dos motivos de as empresas americanas estarem buscando uma alternativa à China é, justamente, a questão da rastreabilidade, e o Brasil tem um espaço muito bom por isso”, explicou.

Por fim, Cindy reforçou que os Estados Unidos querem garantir que os produtos que estão entrando no território americano sigam as leis e normas do país de origem. Nesse sentido, ela contou que sempre recebe questionamentos por parte das empresas americanas com relação às mudanças que vêm acontecendo nas Leis brasileiras e, segundo ela, isso pode dar mais confiança na relação comercial. “As empresas precisam conseguir provar que seguem a lei brasileira, pois, dessa forma, ficará mais fácil vender para os EUA e tornar o mercado mais competitivo”, declarou.

Sobre isso, ela lembrou que, desde 2008, existe nos Estados Unidos o Lacey Act, lei que estabelece uma série de fatores determinantes para a entrada de madeira estrangeira no território americano. Segundo a diretora executiva da IWPA, essa Lei vem sendo fortemente reforçada e, em cooperação com outros países, por diversas vezes a entrada dos produtos é proibida.

“Quando alguém apresenta um produto para os EUA, mas já houve, por exemplo, alguma denúncia, eles destroem a madeira no carregamento. Ao saber que uma informação não está de acordo, eles não deixam entrar. Por isso, existe o interesse em acordos entre comunidades para reforçar a sustentabilidade nos países. Assim, quando o produto chegar aos EUA, saberemos que ele segue as leis desde a origem. Mas, para isso, é importante entender o Lacey Act”, sugeriu.

Cindy informou que, para as empresas brasileiras que desejarem entender mais sobre as normas e Leis americanas, o IWPA oferece consultoria detalhada e cursos no assunto.

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Fonte: Assessoria de Imprensa Abimci – Interact Comunicação 
Foto: Raphael Bernadelli Fotografia