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2018: o que esperar?

28/02/2018

Fevereiro/2018

Um ano de cautela e de atenção redobrada das empresas em várias direções. Em 2018 teremos pela frente variáveis políticas e econômicas, que impactam diretamente no humor do mercado, na disponibilidade de crédito, na confiança do consumidor e dos empresários. No mercado interno, ainda enfrentamos o desaquecimento da economia e, consequentemente, importantes setores consumidores, como o da construção civil, das embalagens, móveis, entre outros, impactando nas vendas de produtos de madeira e provocando o direcionamento de parte da produção de alguns itens para a exportação, movimento esse que já estamos presenciando nos últimos anos. Caso a expectativa de crescimento do PIB de 4% para o ano se confirme, poderemos ter uma recuperação lenta e gradual, e sabemos do potencial consumidor de nosso mercado interno.

Em relação ao mercado externo, com o aumento ocorrido no volume exportado em 2017 dos principais produtos madeireiros brasileiros, estima-se a manutenção desses índices a serem exportados em 2018. Ressalte-se que esse aumento do volume físico exportado não se transformou necessariamente em valores exportados na mesma proporção, decorrentes de algumas quedas de preços internacionais e da variação cambial durante o ano.

Os mercados tradicionais – Estados Unidos, México e países do Bloco Europeu – elevaram a média das compras dos produtos brasileiros, mas sempre com olhar atento diante das incertezas nos campos políticos e econômicos do Brasil. Em 2018, certamente alguns cenários mais pontuais influenciarão o desempenho das exportações nacionais, em especial o andamento e avanço das reformas e seu reflexo na política cambial, e as possíveis variáveis da corrida presidencial.

Em paralelo – na expectativa do mercado internacional – algumas negociações em curso, em especial algumas promovidas pelo governo americano, que podem influenciar o fluxo mundial de produtos em 2018. Exemplo recente disso, a taxação anunciada pelo Departamento de Comércio do EUA, taxando o compensado hardwood chinês, com percentuais que variam de 22,98% a 194,90%, com grande predominância da taxa de 194,90%. Paralelamente a esse processo de taxação, algumas empresas chinesas também foram investigadas e taxadas em processo de antidumping. São decisões que interferem em toda a dinâmica do comércio mundial desse segmento. As negociações em curso do NAFTA, entre EUA – Canadá – México, também podem trazer alterações importantes em relação à madeira serrada e vários outros produtos madeireiros.

Vale lembrar ainda que as mesmas preocupações que assombravam os empresários no início do ano passado se repetem atualmente com um pouco mais de intensidade, pois alguns aumentos que incidem sobre a produção, como energia, combustíveis, alguns tipos de insumos e de matéria-prima e custos de logística já foram anunciados ou estão sendo praticados em algumas regiões do país, bem como um estreitamento na oferta de crédito para a indústria.

Em resumo, teremos um ano de muitas atividades fora do portão de nossas empresas, mas que influenciarão de forma direta em nossos resultados. Precisamos redobrar a atenção aos acontecimentos ao nosso redor para termos a ótica correta dos cenários e a velocidade necessária para a tomada de decisões compatíveis com a velocidade dos fatos.

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)