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A hora de unir a cadeia produtiva da madeira

31/05/2018

Maio/2018

Quem está na ponta da cadeia produtiva da madeira – seja a indústria de madeira processada, como compensados, madeira serrada, portas, molduras, pisos ou outros produtos industrializados – muitas vezes desconhece a evolução pela qual tem passado a silvicultura brasileira. Um segmento que trabalha com pesquisa, desenvolvimento e tecnologia. E o inverso também pode ser afirmado. Quantos produtores florestais acompanham o que será feito da matéria-prima, qual o cenário para o mercado dos produtos transformados, quais os destinos e usos desses produtos? 

A participação da Abimci na Feira Expoforest, no Seminário de Colheita e Transporte de Madeira e no Encontro Brasileiro de Silvicultura, possibilitou à entidade um olhar ainda mais amplo para toda a cadeia florestal. Aprendemos com os produtores florestais, que por sua vez também tiveram acesso a cenários comerciais e a um panorama da realidade industrial da madeira no Brasil. A apresentação dos números de produção, consumo e exportação do setor permitiu aos presentes nos eventos técnicos, uma aproximação maior com a atual situação dos mercados interno e externo. 

Cada vez mais, é possível afirmar que para avançarmos no aumento do consumo dos produtos de origem florestal, é preciso estar atento a questões estruturantes e à necessidade de uma maior coalização entre os atores do setor. Um desafio e tanto em um país continental como o Brasil. Mas um caminho sem volta, no qual a soma de esforços poderá contribuir para o crescimento de toda a cadeia. 

O momento para um trabalho conjunto é o mais oportuno, pois já percebemos o início (ainda tímido) da retomada do crescimento interno e a consequente melhoria do ambiente de negócios. Certamente, quando nos referimos ao prosseguimento das reformas estruturantes que o país necessita, às novas linhas de financiamentos e às políticas específicas para investimentos na produção e na renovação tecnológica, ainda estamos longe das condições que precisamos, e, esses avanços se darão certamente com a consolidação da recuperação da economia.

Ainda enfrentamos baixa competitividade comercial por conta de fatores políticos, que influenciam o ambiente de negócios, da falta de acordos comerciais e de entraves burocráticos, com nossa logística portuária entre as mais caras do mundo, e na porta comercial, um baixo nível de investimentos na produção e de crédito para as empresas. Mas, ações conjuntas e estratégicas devem estar no radar das empresas e entidades representativas.

Sabemos que no mercado doméstico uma retomada dos níveis de investimentos na construção civil pode representar novos negócios para os produtos de madeira. Além do uso de portas de madeira, estruturas de telhados e formas, precisamos avançar na consolidação do sistema construtivo wood frame para gerar escala de consumo. Temos um enorme potencial construtivo e uma crescente demanda por moradias. Precisamos envolver toda a cadeia nessa missão de ampliar o consumo per capita de madeira na construção civil brasileira. Um movimento conjunto que está apenas no início. 

Assim, o sucesso dos eventos da Semana Florestal Brasileira é um sinal importante para uma agenda positiva da cadeia produtiva da madeira. Somando-se aos demais eventos do calendário que temos presenciado no país, nos dão claras amostras de que o empresariado em geral está atento às oportunidades do mercado, ciente da necessidade de uma maior participação nas atividades de seu setor ou segmento de produto, consolidando ainda mais a importância desse ano de eleições majoritárias que o Brasil terá, e que, certamente, será a ferramenta fundamental para as mudanças econômicas e de resgate da ética que todos precisamos para avançar. E isso não é sonhar demais!

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)