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Ambiente interno turbulento

31/07/2018

Julho/2018

Quando se achava que o pior da crise econômica e política havia passado, deparamo-nos com a greve dos caminhoneiros que não só paralisou o país por 11 dias, causando problemas para as empresas e as pessoas, mas resultou em impactos incalculáveis para o setor produtivo.

O índice divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPCA) mostrou a redução de 13,4% da produção industrial em maio quando comparada a abril. De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, se a projeção for confirmada pelo IBGE, será o pior desempenho na série histórica desde2002. 

Mas os prejuízos podem ser maiores. A lista de medidas anunciadas pelo governo para amenizar os prejuízos no orçamento a partir dos acordos para por fim à greve dos caminhoneiros onerou ainda mais o setor produtivo.

Decisões equivocadas como a redução do valor do Reintegra de 2% para 0,1%, que atinge diretamente o caixa das empresas exportadoras, a reoneração da folha de pagamento de vários setores industriais e a desastrosa tentativa de instituir a tabela mínima do preço do frete, são fatores que impactam diretamente a competitividade da indústria e a manutenção dos negócios em médio e longo prazos. 

Não bastassem essas decisões, o governo alterou as regras de compensação tributária incluindo artigo na Lei nº 13.670, que trata da reoneração da folha de pagamento, para impedir que empresas do lucro real, com faturamento acima de R$ 78 milhões por ano, de quitarem imposto de renda (IR) e CSLL por meio desse instrumento.

O esforço – de recursos e tempo – para garantir condições mínimas e justas de competitividade da indústria brasileira passa, por exemplo, pela atuação junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) contra a taxação adicional do escaneamento de contêineres. Somam-se a isso, ações institucionais e políticas para a regulamentação das regras sobre cobrança de detention/demurrage, para um melhor entendimento sobre a livre estadia de contêiner (free time), para a padronização das taxas portuárias, procedimentos em casos de omissão de embarques. Ou seja, um trabalho extenuante por parte das empresas e das entidades em diferentes frentes, que poderia ser capitalizado para o desenvolvimento de novos produtos, prospecção de mercado, melhoria da qualidade, inovação. 

Na contramão da paralisia e do atraso enfrentados pelo setor produtivo brasileiro, a Abimci vivenciou recentemente, durante agenda internacional em países da Europa e nos Estados Unidos para a promoção do produto madeireiro brasileiro, a organização, a seriedade e a objetividade com as quais são conduzidas as negociações entre governo e setor privado, onde todos trabalham pelo crescimento e sustentabilidade dos negócios. O Estado é parceiro do setor produtivo e não joga contra, como na maioria das vezes no nosso país.

São países em busca de oportunidades de investimentos e que, ainda não excluíram totalmente o Brasil do mapa por ações única e quase que exclusivamente do próprio setor produtivo brasileiro. Caminhamos sozinhos para manter as boas relações comerciais com os mercados mundiais. Claramente fazendo o papel do Estado. 

Temos pela frente um período incerto – decisões do STF, eleições, reformas. Manter a união em torno de objetivos comuns e em busca de soluções para os problemas de todo um setor é um dos papeis fundamentais da Abimci. Estamos firmes no propósito de defender os interesses do segmento e de enxergar as possibilidades para o futuro. O trabalho diante dos problemas é grande, mas ele segue alinhado com as ações técnicas, comerciais e de promoção do setor para que possamos avançar, independente das amarras e barreiras impostas por aqueles que deveriam estar trabalhando para fazer o país crescer, mas não o fazem.

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)