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Construção com madeira: uma chance para estimular o mercado interno

30/06/2016

Junho/2016

O dia 14 de junho deve ser lembrado como um marco para a construção brasileira e também para a indústria da madeira. A instalação da Comissão de Estudos da ABNT para o desenvolvimento da norma técnica para o sistema construtivo wood frame vai permitir um importante avanço no que diz respeito aos requisitos para uso dos produtos e na possibilidade de desenvolvermos o mercado interno para esse segmento.

Será preciso encarar, a partir de agora, o desafio de integrar todos os atores envolvidos nesse tema para dar legitimidade ao processo. Por isso, ter nesta comissão entidades transversais e com isonomia ajudará a levar esse processo com a maior lisura possível. A credibilidade deste trabalho é essencial para o desenvolvimento de uma norma que esteja baseada, essencialmente, em aspectos técnicos. Sob a coordenação da Comissão da Casa Inteligente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e com a secretaria da Abimci, o grupo pretende buscar referências nas normas dos principais países que já têm tradição no método construtivo. 

Vale ressaltar, que o avanço de programas de certificação de produtos de madeira no Brasil nos últimos anos mostra que a indústria madeireira trabalha cada vez mais para atender os requisitos da Norma de Desempenho da Construção civil. Muitos programas de certificação já existem e estão consolidados no mercado como o Programa Nacional de Qualidade da Madeira (PNQM) e o Programa Setorial da Qualidade de Portas de Madeira para Edificações (PSQ-PME), ambos da Abimci, que atendem uma série de requisitos técnicos para os produtos usados na construção civil, e consequentemente já estão aptos para o sistema wood frame.

Outro ponto importante a partir do desenvolvimento da norma será a oficialização desse sistema nas esferas oficiais inserindo-o nas linhas de financiamento e na criação de políticas públicas promovendo a interface entre Governo, instituições e setor produtivo. Dessa forma, contar com a participação de entidades financeiras. 

Já a questão cultural, também precisará de atenção especial. Caberá aos setores da construção e da madeira unir esforços para tornar de conhecimento público os benefícios desse sistema em prol do desenvolvimento habitacional do Brasil e do estímulo ao uso de um método sustentável. Um dos maiores desafios, sem dúvidas, é eliminar um erro básico de conceito de muitos e também de algumas esferas do Governo, de que casas de madeira são construções destinadas para um público de baixa renda. Um trabalho importante que teremos ao longo de nossa jornada para a consolidação desse sistema no Brasil. Mas os exemplos aplicados em alguns dos principais países do mundo com construções em madeira, em larga escala e de diferentes conceitos, nos provam exatamente o contrário, pois esse é um sistema que traz soluções inovadoras e sustentáveis, economicamente viáveis, e com as garantias necessárias exigidas pelo mercado.    

A aceitação pelo mercado da construção desse sistema construtivo gerará novos patamares de consumo de madeira no Brasil, alçando a demanda do mercado interno a níveis representativos em nossa economia.

O desafio é grande para que tudo isso aconteça, mas com planejamento, estratégia e, principalmente, a união de esforços dos principais envolvidos e interessados no desenvolvimento desse sistema de construção sustentável no Brasil, as ações sairão do papel. 

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)