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Desempenho do primeiro semestre

31/07/2016

Julho/2016

Assim como prevíamos no começo deste ano, o primeiro semestre foi dos mais desafiadores para o setor produtivo. A paralisia que tomou conta do país, em virtude do momento político, infelizmente influenciou diretamente na economia, no consumo e no humor do mercado interno. E a indústria da madeira não ficou imune a esse cenário, procurando certo alívio para o seu faturamento nas exportações, muitos olhando apenas a valorização do dólar, que sabemos não é a única variável a ser avaliada na hora de fechar contratos internacionais. Uma estratégia preocupante, pois o mercado externo não absorve de forma natural uma oferta maior de produtos, sem que isso reflita em queda do preço internacional – fato que acabou por se concretizar. 

Com isso, tivemos no período um aumento no volume físico de embarques de alguns produtos, mas em cima de uma base de preços distante da realidade que as empresas necessitam para se tornarem competitivas. Como exemplo, o compensado de pinus, que no acumulado do ano, cresceu 21%, seu volume exportado, e o compensado tropical, com um crescimento de 35% nos embarques de janeiro a junho. Números positivos, mas que precisam ser analisados dentro desse contexto de esfacelamento do mercado interno, oferta alta de produtos para o exterior e crescente aumento de custos operacionais. 

O dever de casa parece que cada indústria está fazendo: procurar reduzir seus custos, encontrar novas estratégias de vendas, apostar em ações associativistas como as realizadas pela Abimci. 

O que se espera a partir de agora é que o governo federal, mesmo que interinamente, coloque em prática as mudanças anunciadas: novas possibilidades de acordos internacionais, reformas estruturantes, que resultem em investimentos e na retomada do crescimento da economia, e, acima de tudo, na reforma política, essencial para manter a ordem, a democracia e reestabelecer a confiança dos brasileiros no sistema político. 

Até porque, se não houver essa postura proativa e enérgica do governo federal, a tendência é de que o cenário revelado em recente pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se concretize. O levantamento revelou que o investimento da indústria de transformação em máquinas, equipamentos e instalações deverá despencar 50,4% em 2016. A retração esperada para a economia brasileira de 3,8% este ano reduz o investimento industrial, pois a indústria projeta um cenário de queda de demanda e baixo retorno. Os empresários passaram a temer mais o baixo crescimento econômico do que a elevada carga tributária, segundo a pesquisa.

E o segundo semestre?

Se os desafios foram grandes até aqui, o segundo semestre pedirá ainda mais cautela e trabalho. Passaremos por meses de novas mudanças e fatos importantes aos quais a economia e os negócios são vulneráveis: eleições municipais, o desfecho do processo de impeachment da presidente da República, eleições presidenciais norte-americanas.   

Dessa forma, cabe aos industriais permanecerem firmes e focados em suas estratégias de negócios, avaliando todo esse contexto, fortalecendo seus departamentos de vendas. À Abimci fica o desafio de fortalecer sua representatividade, levar adiante as demandas do segmento, a defesa de interesses do setor e participar ativamente de iniciativas como as que pretendem estimular o aumento do consumo per capita de madeira no Brasil.

União de esforços

Na esfera política, uma das ações que cabe à sociedade civil e a entidades como a Abimci, é a de mobilizar os seus segmentos na busca pelo debate de ideias e, cada vez mais, se engajar em movimentos que cobrem e fiscalizem uma atuação exemplar dos políticos eleitos. 

A Associação aderiu, por exemplo, ao movimento Vote Bem, iniciativa apartidária, liderada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), com o apoio de mais de 100 instituições, que pretende estimular a reflexão sobre o voto responsável e mobilizar a sociedade sobre a importância de votar com informação e fiscalizar os representantes públicos.

Passaremos nos próximos meses por um período de eleições municipais que muito precisará de nossa atenção. Cada empresário, profissional, acadêmico, tem o deve de se comprometer com a política de seus municípios. O ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendeu, durante palestra de lançamento do Vote Bem, o engajamento dos cidadãos, para que nós também assumamos as nossas responsabilidades como agentes políticos. Precisamos, como parte indispensável para o desenvolvimento do país, apoiar a reforma política, medida defendida também pelo presidente do TSE. 

Disseminar informações, promover o debate de ideias e o voto consciente deverá estar na nossa lista de atividades prioritárias. Porque somente assim, com representantes e governos cientes de suas responsabilidades para com a sociedade, será possível avançarmos no desenvolvimento de nossos negócios, com uma economia crescente e pujante. 

O momento é de extrema atenção e exigirá da iniciativa privada equilíbrio para fazer as exigências necessárias para que as mudanças ocorram dentro da legalidade. É chegada a hora de seguirmos o conselho do ministro: “Já enfrentamos muitos obstáculos. O Estado de direito tem sido preservado e isso deve ser levado em conta. Mas é preciso que tenhamos coragem. Conseguimos avançar em muitos pontos e agora precisamos encerrar esse ciclo que nos enche de vergonha”.

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)