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Florestas: porque a indústria precisa fazer parte da discussão

05/05/2021

Março/2021

Aumento da área plantada, consolidação de políticas de incentivo ao aumento da base florestal, otimização e operacionalização de modalidades de fomento florestal – em especial para as pequenas propriedades – desburocratização e simplificação do plantio. Esses são alguns dos principais desafios que se apresentam ao setor florestal e madeireiro brasileiro. 

Sem base florestal não há indústria. Sem indústria, o planejamento e uso das florestas produtivas ficam comprometidos. Cada elo da cadeia florestal e madeireira tem um papel indispensável para o sucesso dessa complexa engrenagem que, ao fim, produz uma imensa variedade de bens de consumo essenciais para o dia a dia da sociedade moderna.  

A indústria brasileira de madeira processada mecanicamente – que inclui a produção de madeira serrada, compensados, painéis, portas, molduras, pisos, pellets, biomassa, entre outros produtos –  tem exercido historicamente um importante papel para a economia do país por meio da geração de emprego e renda, saldo positivo na balança comercial, conservação de áreas de preservação e fabricação de produtos a partir de matéria-prima renovável. É, sim, uma das indústrias mais prósperas e também promissoras em termos de oportunidades de negócios na nova economia.

 

Diante de desafios globais de oferta x demanda, questionamentos cada vez mais intensos dos países compradores quanto a questões de sustentabilidade e origem da madeira, a Abimci – que representa a indústria nacional de produtos de madeira processada – está cada vez mais atenta à necessidade de atuar nas discussões que envolvem a floresta. 

 

A criação do Comitê Florestal como parte da estrutura organizacional da associação é apenas uma das ações com esse foco. Com a participação de representantes de empresas de diferentes segmentos de produtos de diversas regiões do país, a Abimci fortalece o seu DNA de representação nacional por meio de um Comitê que tem desafios e oportunidades ímpares. 

 

Na pauta de discussões já em andamento no Comitê, estão temas como políticas públicas de incentivo ao cultivo de florestas, fomento florestal, suprimento de matéria-prima, produção de informações estratégicas, posicionamento da imagem do setor, possibilidade de desenvolvimento de um novo conceito de certificação florestal. Temas que são estratégicos para a melhoria do ambiente de negócios.

 

Vivenciamos um momento oportuno – com aumento da demanda e novas oportunidades de negócios – para incentivar o plantio florestal nas pequenas propriedades. Para isso, será preciso apresentar aos produtores rurais cenários viáveis e resultados positivos. Encontrar soluções para garantir o suprimento florestal é pauta constante e mais do que atual no setor madeireiro. Para tanto, são necessárias práticas mais atrativas para a mudança desse cenário na base florestal. Uma questão prioritária para todos.

 

Além das pautas e necessidades mencionadas, a iniciativa da criação do Comitê Florestal junta-se ao convite aceito pela Abimci para integrar a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Um espaço no qual o diálogo entre os diferentes atores envolvidos na cadeia pode resultar em proposições decisivas para que o setor avance. 

 

Temos pela frente muito trabalho, que vai depender do esforço de muitos. Uma agenda positiva na qual todos têm a ganhar: a economia do país, a sustentabilidade para os negócios, o meio ambiente a partir do olhar responsável para o uso dos recursos naturais, e, por fim, e tão importante quanto todo o restante, as pessoas, força que faz girar toda essa engrenagem. 

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)
www.abimci.com.br