Publicações

Imagem florestal brasileira

05/05/2021

Outubro/2020

O Brasil florestal e madeireiro enfrenta um desafio quase que diário: o de apresentar nas participações em eventos internacionais do setor, em resposta à cobertura de mídias estrangeiras sobre as queimadas de áreas florestais, e em especial,  em justificativas para empresas e mercados importadores dos produtos madeireiros brasileiros, os argumentos e regramentos oficiais e de controladoria em vigor no país para comprovar o trabalho realizado pelo setor produtivo na conservação das florestas – sejam elas plantadas ou nativas. Afinal, não há quem mais tenha interesse em evitar incêndios, derrubadas ilegais e uso indevido da madeira do que quem vive dela. 

São as empresas produtoras, por exemplo, que empenham um grande volume de recursos humanos, financeiros e equipamentos para combater os incêndios, comuns em regiões do Brasil nos meses de agosto a outubro por conta da estiagem. Nada comparado, aos estragos causados em países da Europa ou nos Estados Unidos, que a cada ano perdem milhares de hectares de florestas em função do fogo. De acordo com o Departamento de Bombeiros do Estado da Califórnia (EUA), foram mais de 800 mil hectares destruídos até setembro deste ano e a temporada de incêndios ainda não acabou por lá.

Em relação à pauta sobre maior controle sobre a madeira e do manejo adequado das florestas brasileiras, há também de se evidenciar o esforço crescente e investimento constante por parte das empresas em certificar suas áreas, além da implantação de novas formas de monitoramento e controle. Muito tem sido feito para a melhoria dos sistemas de controles e fiscalização. O recém-lançado sistema Sinaflor+ anunciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), com o objetivo de otimizar e proporcionar um maior controle no manejo e de apurar um volume mais exato de madeira produzida, é um exemplo claro e prático do cuidado e respeito do setor madeireiro com a produção sustentável.

No sistema anterior, a vinculação entre a madeira extraída e a árvore original era feita por amostragem aleatória. Com o novo sistema, as árvores destinadas ao corte seletivo são 100% identificadas por geolocalização, podendo ser rastreadas até o ponto exato de onde foi originalmente extraída. O sistema também traz ações integradas com o usuário, para facilitar o gerenciamento de autorizações e pendências. Em resumo, um controle preciso que certamente resultará na melhoria da imagem do produto brasileiro no mercado internacional, reforçando o combate à irregularidade.

As tentativas de macular a imagem do Brasil quanto ao uso de seus recursos naturais são praticamente constantes e muitas sem fundamentação técnica, e sim, soam como tentativas permanentes de prejudicar a participação do país no comércio mundial. 

Percebe-se atualmente um agravamento de vários posicionamentos em mercados internacionais contra o produto brasileiro, com exigências absurdas, não somente em produtos provenientes de florestas nativas, mas também com exigências para produtos oriundos de florestas plantadas. Certamente esses motivos e comportamentos são baseados na competição comercial e potencialidades do produto brasileiro do que efetivamente nos questionamentos sobre uso correto de nossa matéria-prima.

Tal momento é reforçado também pelas inesperadas modificações no comportamento do mercado mundial, que, devido ao enfrentamento da pandemia, somado aos resultados negativos nas principais economias do mundo, reforça claramente o posicionamento dos países em tentar proteger suas indústrias, aumentando o grau de dificuldades e de exigências para tentar conter a participação do Brasil no mercado mundial de madeiras.

Com um potencial gigantesco que passa pelo cultivo de florestas plantadas, manejo das áreas nativas, incluindo uma indústria de transformação consolidada e preparada para atender os mercados mais exigentes, as históricas campanhas que tentam denegrir o setor madereiro e florestal brasileiro precisam ser respondidas com a dedicação e o trabalho sério que nos é característico. 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)
www.abimci.com.br