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Normalização de produtos de madeira avança no Brasil

31/10/2018

Outubro/2018

A representação política e institucional, além da promoção do produto brasileiro de madeira aqui e no mundo são frentes de atuação permanentes da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci). Mas em paralelo a essas ações, um trabalho intenso para desenvolver, discutir e revisar as normas técnicas para os diversos produtos industrializados de madeira é realizado continuamente junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e demais envolvidos como produtores, academia, consumidores, laboratórios e todos os públicos de interesse.  

Como entidade gestora do Comitê Brasileiro de Madeira (CB-31) da ABNT, a Abimci tem atuado na revisão e discussão de uma série de normas do setor. Somente em 2018, diversas Comissões de Estudos para essas normas foram reativadas e novas normas foram publicadas.

A Comissão de Estudos da ABNT para madeira serrada, por exemplo, avançou de forma importante nas discussões para o desenvolvimento da norma. O projeto de norma que trata especificamente de madeira serrada para a construção civil irá abordar inicialmente a terminologia, as generalidades e os requisitos específicos para a construção civil, que serão divididos em três grupos (Pinus, Eucalipto e Folhosas). Esses novos projetos de normas visam cancelar nove normas existentes de madeira serrada, atualmente em vigor, para unificar em uma única versão. Na sequência, serão estudados os projetos para uso da madeira em embalagens, móveis e uso geral. Para dar celeridade ao processo de elaboração das normas, a comissão conta com grupos de trabalho para cada um desses projetos.

Uma das importantes conquistas de 2018 foi a publicação da norma técnica de portas de madeira. A revisão de norma ABNT NBR 15930-2 – Portas de madeira para edificações – Requisitos, que define os requisitos para o perfil de desempenho de portas de madeira e a sua respectiva classificação de acordo com o nível de desempenho de ocupação e uso. Com a revisão, o novo texto já está adequado para atender à norma de desempenho da construção civil, a NBR 15575.

Outras normas que devem ser publicadas em breve é a que trata de painéis de fibra de madeira e painéis de partículas de madeira. Os textos das normas ABNT NBR 15316 e a ABNT NBR 14810, respectivamente, que passaram por revisões, em especial o item que trata da emissão de formaldeído, adaptando-as aos padrões internacionais, estão em consulta pública até o final de novembro. 

Além das revisões e publicações já realizadas este ano, duas Comissões de Estudo foram reativadas.  Uma delas foi Comissão de Estudos de preservação de madeiras para revisão da norma técnica NBR 16143, que trata sobre a normalização de madeira preservada estabelecendo um sistema de categorias de uso para madeiras, com foco no tratamento preservativo para aumento da durabilidade dos sistemas construtivos. A segunda foi a Comissão de Estudos Cruzetas Roliças de Eucalipto Preservado para redes de distribuição elétrica, que revisa a NBR 16201, estabelecendo os requisitos mínimos exigíveis para cruzetas para utilização como suporte de redes aéreas de distribuição de energia elétrica. 

Vale destacar também o trabalho realizado pelo setor de madeira, representado pela Abimci, outras entidades da cadeia de base florestal e fabricantes, no âmbito do Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-02), para o desenvolvimento da norma técnica para o sistema construtivo wood frame. A previsão é de que até o início de 2019 a norma seja enviada para consulta pública, representando um importante marco para o mercado nacional da construção e dos produtos de madeira.  

O conjunto desse trabalho – que passa pela discussão técnica, de uso dos produtos, de experiências de mercado e uma rica troca de informações entre os diversos agentes envolvidos – certamente resulta em mais qualidade, maior segurança jurídica para fabricantes e garantias ao consumidor. Quando se normaliza determinado produto, o mercado daquele segmento se organiza naturalmente, proporcionando assim uma maior isonomia competitiva e concorrência justa no mercado. 

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)