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Normas técnicas contribuem para melhoria da qualidade dos produtos de madeira

31/03/2018

Março/2018

Coordenar, planejar e executar as atividades de normalização técnica dos produtos de madeira no Brasil. Esses são os desafios do Comitê Brasileiro de Madeira (CB-31) da ABNT, do qual a Associação Brasileira da Indústria de Madeira (Abimci) é a entidade gestora nacional. É o Comitê que dá apoio e suporte às atividades das diversas Comissões de Estudos (CE) que compõem o comitê. Um trabalho silencioso e técnico, mas indispensável para o avanço na qualidade dos produtos.

No último ano, diversas Comissões de Estudo no âmbito do CB-31 avançaram na atualização das normas técnicas, desenvolvimento de novos textos e publicação.

Para os fabricantes de madeira serrada é importante destacar o trabalho que vem sendo realizado pela Comissão de Estudos de Madeira Serrada, que pretende elaborar o projeto de norma que tratará os requisitos do produto para construção civil contemplando o uso geral e não estrutural.

Já o segmento de portas avançou na revisão da NBR 15930 – Parte 2 – Portas de Madeira para Edificações – Requisitos e, em breve, deve ser publicada pela ABNT. Uma conquista importante para o segmento, que poderá certificar kit porta pronto.

Entre as normas publicadas recentemente estão a ABNT NBR 12498:2017 – Madeira serrada de coníferas provenientes de reflorestamento, para uso geral – Requisitos, que revisa a norma ABNT NBR 12498:1991. Essa revisão contemplou a adequação da norma para o novo formato, uma ação que está dentro das metas estabelecidas pela ABNT para atualizações de normas técnicas. E a ABNT NBR 6236:2017 – Madeira para carretéis para fios, cordoalhas e cabos – Requisitos, que especifica os requisitos para madeiras utilizadas na fabricação de carretéis totalmente constituídos em madeira para fios, cordoalhas e cabos. Já a ABNT NBR 11137:2017 – Carretel de madeira para acondicionamento de fios e cabos elétricos — Dimensões e Estruturas estabelece os requisitos construtivos para carretéis utilizados no acondicionamento de fios e cabos elétricos e para estrutura de carretéis construídos totalmente em madeira, na forma de tábuas ou sarrafos e também passa por atualização.

Fechando esse trabalho técnico, recentemente, foram reativadas as Comissões de Estudos para revisão das normas de Cruzeta Roliça de Eucalipto Tratado, de Preservação de Madeiras – Sistema de categorias de uso, de Painéis de Partículas de Madeira de baixa densidade e também a norma que trata dos painéis de média densidade, de Armazenamento, transporte e movimentação dos elementos componentes dos carretéis de madeira para fios, cabos ou cordoalhas de aço.

Certificações
Todo esse trabalho técnico é a base para o desenvolvimento dos programas de qualidade do setor de madeira. O Programa Nacional de Qualidade da Madeira (PNQM), por exemplo, da Abimci, é uma ferramenta de gestão de qualidade que fornece uma estrutura de padronização e controle do processo produtivo nas empresas, desde o recebimento da matéria-prima e insumos, até a embalagem e expedição do produto final. As indústrias que implantam o sistema de gestão do PNQM ganham produtividade e redução de perdas e custos, além de, garantirem acesso aos principais mercados consumidores com produtos que atendem padrões e normas técnicas, nacionais e internacionais.

A seriedade do Programa e o reconhecimento internacional conquistado na Comunidade Europeia – permitindo que produtos brasileiros de madeira obtenham o selo CE Marking – deram subsídios para a recente negociação entre a Abimci e o Instituto Argentino de Normalização e Certificação (IRAM) com o intuito de firmar um acordo de cooperação mútua entre as duas entidades para possibilitar a certificação do compensado de acordo com as normas argentinas. Um avanço significativo na defesa de interesses comerciais do produto brasileiro.

Assim, fica claro que fabricar produtos dentro das normas vigentes é uma premissa essencial para qualquer setor produtivo. A participação ativa da Abimci como entidade gestora do CB-31 reflete a confiança das organizações no trabalho desempenhado pela associação e possibilita uma participação efetiva do setor produtivo nas discussões técnicas.

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)