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O impacto da corrupção nos negócios

30/06/2018

Junho/2018

Os desafios diários de quem está à frente das empresas no Brasil são inúmeros. Uma rotina pesada, que cada empresário precisa administrar em paralelo às estratégias de negócios e de mercado de seu segmento. E para dificultar ainda mais a rotina empresarial, somos alvejados diretamente e de forma constante, com os vários impactos da corrupção, que atrasa o país e também propicia incertezas e falta de segurança jurídica e de investimentos na economia.

Nos últimos anos, o Brasil escancarou o problema da corrupção, da falta de transparência nas relações entre público e privado, colocando em xeque questões éticas e morais, criando uma mancha na credibilidade do país no mercado mundial. Talvez nunca se investigou tanto, mas também nunca estivemos tão expostos. O momento deve ser de profunda reflexão e mudanças. Uma tarefa que começa no dia a dia das pessoas, em todos os níveis de relação, pessoal e profissional.

Como disse o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, quando da sua participação no 3º Fórum da Transparência do Sistema Fiep, em Curitiba (PR), o Brasil passa por um momento de “refundação”. Com uma visão positiva de futuro, Barroso lembrou que o percurso ainda é longo, mas o caminho parece indicar que estamos na direção correta. Para ele, somos herdeiros de três disfunções: o patrimonialismo, característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e do privado; o oficialismo, uma dependência extrema do Estado; e a cultura da desigualdade: escravidão, aristocracia e a eterna busca por privilégios da sociedade brasileira. 

Tais disfunções, explicou Barroso, são causadas pelo superdimensionamento do Estado, que está onipresente, ineficiente e induzindo à corrupção; pela impunidade, já que as pessoas se movem incentivadas pelo risco; e pelo sistema político atual. Na visão do ministro, a reforma política é indispensável para o avanço do país, incluindo uma discussão dos sistemas de governo, eleitoral e partidário. 

Todas as denúncias noticiadas revelam mais do que esquemas fraudulentos, mostram que a corrupção leva ao comprometimento dos projetos de desenvolvimento do país. Assim, provavelmente, é imensurável o custo da corrupção para qualquer sociedade. 

O ministro também citou que: “não há uma bala de prata, mas a direção certa é mais importante que a velocidade”. Caminhamos para posicionamentos mais transparentes entre as empresas, fornecedores, trabalhadores e governo; fortalecendo as instituições e o controle social.  

As empresas se mostram mais conscientes da responsabilidade que exercem na manutenção da ética nos negócios. Tem se tornado prática comum, por exemplo, a publicação de políticas de compliance, a divulgação de forma mais ampla dos valores e dos compromissos assumidos com a sociedade.

No principal evento nacional do setor da construção realizado em Florianópolis (SC) em maio, o ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção Civil), do qual a Abimci participou através do Programa Setorial da Qualidade de Portas de Madeira para Edificações (PSQ-PME), vimos um setor – que teve algumas das empresas envolvidas nos escândalos de corrupção do país – otimista com o futuro, com a certeza de que ainda há muito a ser feito no país e que é possível fazer de forma ética, responsável.  

Nesses dois exemplos, de um lado a esperança de que o sistema judiciário seja mais justo e transparente com as demandas da sociedade e no evento de mercado da construção civil, a esperança do empresariado para com tempos melhores de crescimento.

Não há mais dúvidas de que a corrupção atrasa uma nação. Deixamos de investir em educação, saúde, infraestrutura, reduzindo assim as possibilidades de crescimento, geração de emprego e renda para o país. Mas a mudança já começou. É um exercício diário. Cabe a cada um de nós, empresário ou não, fazer a sua parte. 

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)