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O potencial da madeira brasileira no mundo

31/01/2017

Janeiro/2017

Ainda é difícil prever como será 2017. É certo, no entanto, que alguns fatos nos levam a crer que será preciso ainda mais dedicação e atenção dos industriais sobre os seus negócios, suas planilhas de orçamento e custos, além de um comprometimento mais assertivo por parte do governo para com o setor produtivo. 

As empresas que têm o mercado internacional como um de seus nichos precisarão reavaliar e reforçar as estratégicas comerciais visando aumento do faturamento. Os números macros de 2016 mostram que o Brasil exportou mais quando comparamos volume embarcado, mas em cima de um faturamento menor, em vários dos principais segmentos de produtos madeireiros. 

Grande parte dessa diminuição do faturamento deve-se à queda nos preços internacionais de alguns produtos, notada ao longo do ano, mas sem dúvida o custo-brasil, aliado à completa anarquia política que o Brasil vivenciou em 2016, e que prejudicou de forma intensa o fluxo do mercado interno, também impactou de uma maneira bastante severa e prejudicial à competitividade das empresas brasileiras. 

Mas certamente temos como recuperar e melhorar nosso desempenho. Com todo o potencial florestal e industrial brasileiro, devemos trabalhar – e isso inclui urgentemente ações do governo e de organismos responsáveis pelas regras de política externa – para que o país tenha condições de disputar em igualdade e isonomia comercial com os demais países produtores e fornecedores de madeira, principalmente com nossos vizinhos da América do Sul, que possuem condições políticas e fiscais mais atrativas do que nossa cambaleante política comercial internacional, principalmente junto ao mercado americano.

E esse é um importante sinal de alerta para o setor, já que a maior parte dos produtos de madeira comercializados pelo Brasil está voltada a esse mercado. É o caso do compensado de pinus, que do total de 1.730,467 m³ exportado ano passado, 28,3% foi para os americanos. O segundo destino, o Reino Unido, aparece com 15,9%, seguido pela ​Bélgica, 11%, Alemanha, 9,67%, e México, 4,9%.  ​  ​

​Outros produtos têm foco ainda maior no mercado americano. Caso da madeira serrada de pinus, que enviou 42,3% de um total de 2.166.555 m³ exportados em 2016 para os EUA. Esse segmento vem fazendo um importante trabalho comercial, com mais de 60 países de destino das exportações, revelando uma evolução comercial das empresas, que estão a procura de novos mercados e produtos com maiores especificidades. A madeira serrada tropical, direcionou 21,1% das exportações do ano anterior também para os americanos. O volume embarcado em 2016 atingiu 657.576 m³, com média mensal de embarques de 54.798 m³. Em seguida aparecem como principais compradores Índia, 8,7%, Holanda, 8,4%, China, 8,1%, e Vietnã, 5,6%​.​

O mesmo acontece com pisos e portas. Em 2016, o volume de exportação de pisos maciços, nas suas diversas especificações, totalizou 63.317.489 kg, com média mensal de embarques de 5.276.457 kg, com crescimento em torno de 20% comparado aos embarques realizados em 2015. Os destinos principais foram Estados Unidos com 61,2%, França, 6,2%, Bélgica, 5,7%, Canadá, 5,3%, e Cuba, 4,2%. Já as empresas de portas embarcaram no ano passado 9.254.205 kg, com média mensal de 771.183 kg, um aumento de 18,8 % no volume exportado em relação a 2015.​​ Aqui também os Estados Unidos aparecem como principal destino com 71%.

Outros segmentos também melhoraram seus desempenhos no ano passado, em volume exportado. Caso das lâminas de pinus, que registrou um crescimento de 30% no volume embarcado quando comparado a 2015, atingindo 70.514 m³ em 2016, com média mensal de 5.876 m³. Para esse segmento, que tem um potencial maior para aumentar as vendas internacionais, os primeiros destinos são Malásia com 40%, Coreia do Sul, 23,6%, e China, 11,5%. O mesmo acontece com o compensado tropical, que tem como destaque as exportações para a Argentina com 25,8%. Em 2016, foram exportados 62.803 m³, com média mensal de 5.233 m³. 

Matéria-prima, indústria forte e produtos de qualidade o Brasil tem. Precisamos de condições de produção mais favoráveis e um ambiente de negócios menos hostil como o que temos enfrentando nos últimos anos. Precisamos retomar a confiança e continuar acreditando nas instituições e na força do associativismo. Somente com um grupo unido e guiados pelo mesmo propósito de fazer este setor crescer é que conseguiremos dar passos importantes. Estamos cada vez mais conscientes de que a política não pode e não deve atrapalhar os negócios. Precisamos estar focados no negócio o tempo todo, indiferente se o novo presidente americano acordar de mau humor ou com o seu famoso topete desarrumado, ou se, figurões de nossa política serão ou não presos, são fatos paralelos. Sua rotina de trabalho não vai e não deve mudar por esses motivos. Seguimos na luta!

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)