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Otimismo é a palavra da vez

31/12/2018

Dezembro/2018

Começamos 2018 falando em cautela, atenção redobrada. Tínhamos pela frente as imprevisíveis variáveis políticas e econômicas, que impactaram diretamente na disponibilidade de crédito, na definição de novos investimentos, na confiança do consumidor e das empresas. O cenário não poderia ter ficado mais conturbado com a greve dos motoristas de caminhões, que comprometeu a produção e o escoamento industrial e, consequentemente, os negócios em praticamente todos os segmentos, afetando diretamente o resultado anual de boa parte das empresas e, como sabemos, também do PIB nacional.

Mas de certa forma superamos em partes a situação e, possivelmente, saímos mais fortalecidos de toda essa turbulência, apesar das medidas abusivas tomadas pelo governo onerando ainda mais o setor produtivo para ajudar a pagar uma conta decorrente da má gestão política de preços dos combustíveis no país.

Passadas as eleições, podemos perceber um horizonte de possíveis caminhos positivos para a retomada do desenvolvimento econômico. Com o primeiro escalão do governo já escolhidos pelo novo presidente, já temos uma ideia de como será a linha de atuação do governo que assume em 2019, mas certamente ainda falta a estruturação dos cargos de segundo e terceiro escalões que também são de suma importância para a operacionalidade da estrutura federal, e que esperamos, sigam na mesma linha de efetividade e qualidade na escolha e não no loteamento político.

No mercado interno, será preciso criar o ambiente positivo de negócios para viabilizar investimentos em infraestrutura e logística, alicerçados por segurança jurídica e governança na resolução de conflitos em projetos de grandes obras; adequar o licenciamento ambiental às melhores práticas; modernizar a tributação indireta para garantir competividade ao país; avançar e realizar a reforma da Previdência; delinear uma política menos brutal de acesso a crédito competitivo. Essas são algumas das medidas necessárias para reestabelecer a competitividade e colocar o Brasil no caminho do desenvolvimento.  

Nas relações comerciais internacionais, crescemos em 2018 no volume nas exportações de alguns segmentos de produtos de madeira, mas ainda aquém da recuperação do faturamento. No mercado mundial, a tensão da guerra comercial entre Estados Unidos e China manteve os exportadores em alerta. Com o novo governo, a expectativa é de que, finalmente, o Brasil entre em definitivo nas negociações para a se estabelecer acordos bilaterais de comércio. De acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os parceiros com os quais o país possui acordos em vigor representam menos de 8% das importações mundiais. Esse número é inferior aos percentuais das economias desenvolvidas. A indústria considera a ampliação da rede de acordos comerciais um elemento-chave para a competitividade e elegeu como prioridade negociações os Estados Unidos, com a União Europeia, México, e países da América do Sul e África.

 

Paralelo às ações comerciais no mercado internacional, encontrar soluções práticas para a melhoria de alguns dos serviços portuários é também condição essencial para alavancar nossas exportações, proporcionar mais fluidez ao processo e, consequentemente, um melhor resultado em nossa balança comercial.

A partir de todos esses cenários, a Abimci está concluindo a elaboração de um documento que apresenta uma série de propostas e demandas do setor industrial madeireiro indispensável para a recuperação do desenvolvimento econômico, e que será protocolado nos diferentes Ministérios e órgãos federais no início de 2019. Temos muito trabalho a ser feito e estaremos cumprindo o papel representativo e associativo, unindo forças com as principais instituições nacionais do setor produtivo, para que sejam estabelecidos compromissos com quem produz a riqueza deste país.  

Vamos em frente!

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)