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País em alerta

30/09/2018

Setembro/2018

Juntamente com as eleições majoritárias, estamos chegando à reta final de 2018 com dúvidas e questionamentos macros para o futuro do país, mas com o desafio de encarar esse importante período de transição como um momento de preparação, cautela, estratégia e renovação da esperança aliada a certa dose de otimismo. 

Se por um lado os setores madeireiro e florestal, e outros segmentos industriais, ainda convivem com a sombra da ressaca da greve dos caminhoneiros, que segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) resultou em uma perda de R$ 26 bilhões somente nos dias de paralisação – representando 1,63% do Produto Interno Bruto (PIB) naquele período, vemos recentemente alguns índices mais positivos e em recuperação. 

O Boletim Perspectivas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de agosto mostra que o Índice de Confiança do Empresário da Indústria voltou a subir, alcançando 53,3 pontos, um crescimento de 3,1 pontos quando comparado a julho. Os empresários também apresentaram uma maior intenção de investir, revertendo a trajetória de queda apresentada nos últimos seis meses. A recuperação é parcial, mas ainda é superior ao mesmo mês do ano anterior. Esses pequenos avanços, embora pequenos, refletem uma melhora no ambiente de negócios, reforçando nossas expectativas positivas para os próximos meses.

Além disso, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela liberdade por parte das empresas na contratação de terceirizados para as atividades-fim, elimina um dos principais pontos de insegurança nas relações trabalhistas. Uma conquista importante para a geração de empregos, pauta trabalhada e defendida pelos setores madeireiro e de base florestal por vários anos.

No entanto, na contramão dessa medida, o governo oficializou o tabelamento de fretes, medida essa proveniente de uma péssima condução do governo nas negociações com o problema. O mercado precisa ter livre negociação. O setor produtivo não seria contra uma tabela orientativa de preços, que poderia ou não ser praticada, mas que sem dúvida traria uma discussão mais positiva entre as partes envolvidas. Além dessa medida, o governo jogou para o setor produtivo a maior parte da conta dos combustíveis para ser paga, com manobras fiscais e tributárias onerando as empresas, diminuindo ainda mais a competitividade.

É certo que os avanços macros ainda são tímidos diante da extensa relação de problemas estruturais, políticos, comerciais, logísticos, tributários e do longo tempo de descaso oficial que praticamente todas as empresas de diferentes setores industriais sofrem. Se para os exportadores a desvalorização atual do câmbio aparentemente é um alento para recuperar anos seguidos de perdas, vale lembrar que normalmente para esse tipo de política cambial, a consequência no aumento dos custos de insumos e de alguns tipos de serviços vem em cascata, deixando ainda mais expostas as empresas em seus custos industriais e operacionais.  Já dizia um velho ditado: o melhor câmbio é o câmbio estável! Não nos empolguemos com a atual taxa de câmbio. Além disso, estamos presenciando disputas comerciais globais intensas, que podem respingar de forma perigosa para produtos brasileiros, aliadas a um cenário internacional desfavorável para os países emergentes.

Redobremos nossa atenção. O momento de pensar o futuro é agora. Indiferente de quem assuma, será necessário comprometimento com o desenvolvimento, a melhoria da segurança jurídica e um melhor e mais democrático acesso ao crédito. O setor madeireiro precisará ainda mais da participação de todos para melhor se posicionar junto às ações do novo governo e, consequentemente, melhorar seu desempenho, estimular o crescimento e promover a sustentabilidade dos negócios e das empresas.

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)