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Quando público e privado trabalham em benefício do desenvolvimento econômico

31/07/2017

Julho/2017

Qual o papel de um governo quando o assunto é negócio? Nos Estados Unidos isso parece estar bem claro. Representantes da nação caminham lado a lado se o objetivo é levar novos investidores para território norte-americano e, consequentemente, gerar emprego, renda e riqueza.

 

No mês de junho, a Abimci, juntamente com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), teve a oportunidade de participar do evento SelectUSA Summit, em Washington, nos Estados Unidos. Promovido pelo governo norte-americano, o programa SelectUSA do Departamento de Comércio tem como objetivo estimular e facilitar o ambiente de negócios e investimentos, sendo essa ação – pela ótica do governo norte-americano –  entendida como uma das principais para o crescimento econômico e geração de empregos. E eles estão corretos agindo assim.

 

Durante três dias, para mais de 3 mil pessoas de 64 países foram apresentadas as oportunidades comerciais, o ambiente de negócios americano, bem como atrações e programas de investimentos existentes naquele que é um dos mercados mais importante e constantes do mundo. 

 

A seriedade e prestígio do evento foi reafirmada pela presença de quatro secretários de Estado e de vários governadores dispostos a promover e vender as suas potencialidades, além da presença de várias agências reguladoras e de governo. Uma mostra do comprometimento que o poder público tem com o país – anos luz distante da realidade dos políticos brasileiros. 

 

Em um ambiente como esse nos damos conta do quanto estamos parados no tempo e sem qualquer estratégia traçada para frente. Se não bastasse todo o envolvimento dos agentes públicos americanos, também algumas das maiores e mais importantes companhias americanas, de variados segmentos, se fizeram presentes e apresentaram seus depoimentos atestando todas as possibilidades para quem quer fazer negócios nos EUA.  

 

Taxações

A viagem também permitiu à Abimci cumprir uma agenda setorial, que teve como facilitador o embaixador americano no Brasil e representantes do próprio programa Select USA. Foram reuniões específicas com o Departamento de Comércio Americano e com o USTR, órgão responsável pela gestão do SGP (Sistema Geral de Preferências), que determina as taxações de produtos para aquele mercado. Uma das ações permanentes da Abimci tem sido no intuito de eliminar as taxas incidentes sobre os produtos madeireiros brasileiros, garantindo, assim isonomia competitiva e acesso ao mercado nas mesmas condições que nossos principais concorrentes.  

 

Ainda será preciso aguardar as definições comerciais do governo americano nos próximos meses, mas há uma aparente tendência favorável ao Brasil, que se percebe, não está em rota de colisão comercial com os EUA.  A depender das revisões tarifárias (ainda não oficiais) previamente sinalizadas pelos Estados Unidos, indica também uma tendência de que nossa indústria madeireira terá novas oportunidades em solo yankee

 

Vivenciamos assim nos poucos dias do evento um cenário que é exemplo a ser seguido. Um ambiente no qual público e privado trabalham em conjunto, alinhados em sua visão de futuro, com objetivos claros e transparentes para realização de negócios. Em um momento no qual o Brasil tem reveladas as relações duvidosas entre empresas privadas e os governantes, choques de civilidade e visão assertiva do que precisa ser feito, de respeito às regras e de foco no desenvolvimento de um país – mensagens essas claramente difundidas no evento – nos chamam ainda mais à realidade e mostram que é possível, sim, fazer diferente. Principalmente em relação ao comportamento e ações que nosso governo tem como metas e diretrizes.

 

Vale ressaltar, infelizmente, que o governo brasileiro não tinha representantes de primeiro escalão presentes ao evento, como se aquele mercado não fosse importante.  Quem sabe eles estão certos em colocar seus melhores esforços no ambiente sombrio de Brasília achando soluções para manter essa estrutura arcaica, gigantesca e inoperante, ao invés de sair pelo mundo para melhorar a imagem do país e achar novos parceiros comerciais. Realidade. Triste realidade…

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)