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Representação institucional: a força das coalizões empresariais

05/05/2021

Setembro/2020

Dar voz às indústrias madeireiras e defender as demandas setoriais têm sido atuações de grande peso dentro das atividades institucionais realizadas pela Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci). Em tempos de grandes transformações como as vividas em 2020, um compromisso que passa a ter ainda mais relevância. 

Uma das frentes que se intensificou desde o início da pandemia do novo coronavírus foi a participação da entidade em coalizões nacionais, que têm trabalhado para a estruturação de pautas nas áreas tributária, trabalhista, econômica e de facilitação e desburocratização do comércio internacional.

A participação nas coalizões permite à Abimci – e consequentemente ao setor industrial madeireiro – somar esforços em pautas e temas transversais com demais entidades de representação nacional de outros setores produtivos, potencializando as defesas de temas estratégicos para o desenvolvimento do país. A representação acontece nas coalizões pela Construção, Empresarial Brasileira (CEB), Empresarial para Facilitação de Comércio e Barreiras (CFB) e coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Um movimento organizado e com agendas definidas que, por meio do diálogo e do debate de propostas concretas, leva ao governo federal as principais percepções e demandas do setor produtivo, propondo soluções que possam contribuir para alavancar e melhorar o ambiente de negócios e promover o crescimento econômico e social da Nação. 

Entre as recentes ações desenvolvidas está a campanha pela facilitação de comércio com os Estados Unidos. Por meio de documento assinado por quase 30 entidades, entre elas a Abimci, foi solicitado aos governos do Brasil e do Estados Unidos o estabelecimento de compromissos para a facilitação de comércio e boas práticas regulatórias entre os dois países. A campanha tem a coordenação da Coalizão Empresarial para Facilitação de Comércio e Barreiras (CFB).

O documento pede que os governos do Brasil e dos Estados Unidos aproveitem o momento atual da relação bilateral para concluir, ainda neste ano, um pacote de comércio que permita aprofundar a parceria econômica entre os dois países, mercado fundamental para as exportações de produtos madeireiros.

As solicitações incluem compromissos vinculantes em áreas prioritárias como modernização aduaneira e facilitação de comércio, boas práticas regulatórias, e combate à corrupção. Como afirma o documento, a proposta reduziria custos, aumentaria o comércio e o investimento bilateral e representaria, ainda, um primeiro passo em direção a um acordo comercial futuro mais abrangente.

Outra ação desenvolvida pela união de esforços através da Coalizão Empresarial para Facilitação de Comércio e Barreiras foi a prorrogação de contratos de câmbio de exportação, que anteriormente tinha prazo de 750 dias, e que tiveram os prazos ampliados pelo Banco Central para 1.500 dias como prazo máximo entre a contratação e a liquidação do contrato. Essa alteração traz uma maior mobilidade para que o embarque da mercadoria ocorra em qualquer data nesse período, bem como possibilita que as empresas negociem com os bancos prazos maiores para as operações de ACC e ACE, especialmente agora com os impactos da pandmeia sobre os negócios. Também foi ampliado o prazo para o pagamento antecipado de importação, de 180 para 360 dias. 

Dentre os trabalhos da Coalizão Empresarial Brasileira, estão sendo desenvolvidas ações para a melhoria nos instrumentos de alteração tarifária e a agenda de negociações comerciais entre Mercosul e Uunião Europeia, European Free Trade Assocation (EFTA) e Índia.

Além da participação nas coalizões empresarias, a Abimci também participa de várias outras ações nesse viés como em alguns diálogos comerciai bilaterais, fóruns de investimentos no setor privado, organizações regionais externas, entre outros.

A união de esforços na representação de setores industriais é um avanço importante e maduro no diálogo com o governo na busca de resultados e regramentos mais efetivos, para que tragam avanços no ambiente de negócios, contribuam para a desburocratização e, consequentemente, para a melhoria da competividade na produção industrial, custos e mercado.

Na sua maioria são agendas praticamente silenciosas, longe do olhar público, mas que ocorrem de forma constante e com objetivos assertivos, condizentes com as demandas e gargalos de nossa indústria. Trabalho que contribui para consolidar, cada vez mais, a força do setor industrial madeireiro para a economica brasileira. 

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)
www.abimci.com.br