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Saldo positivo e as oportunidades de 2020

28/02/2020

Fevereiro/2020

Ao revisar os resultados comerciais de 2019 do setor industrial madeireiro, percebemos que poderia ter sido um ano melhor. Mas entre tantos desafios enfrentados e as dificuldades comerciais internas e mundiais, podemos afirmar que a maioria dos produtos de madeira manteve o volume exportado quando comparados a 2018, ainda que em alguns segmentos de produtos, isso não tenha refletido em aumento dos valores. Mas o Brasil permanece entre os principais players mundiais de produtos de madeira e tem oportunidades para avançar.

Para que essas oportunidades se transformem em negócios para as empresas do setor, uma série de ações faz parte da rotina das atividades da Abimci, que, como entidade representativa desse segmento, tem estabelecido o diálogo internacional e atuado no mercado nacional para melhorar a competitividade da indústria nacional.

Obviamente, alguns impactos negativos que afetam o setor fogem do alcance de qualquer instituição ou empresa, caso do descompasso entre a oferta e a demanda em certos países consumidores, além da imprevisibilidade das guerras comerciais e da indefinição das taxações que estão sendo sugeridas para produtos madeireiros, em especial entre Estados Unidos e China. Ainda assim, em certas situações a Abimci busca atuar para que os interesses do setor sejam defendidos. Um exemplo disso é o processo de alinhamento com o Ministério das Relações Exteriores para definir o posicionamento do setor em função das mudanças do sistema de cotas para produtos madeireiros exportados pelo Brasil para a União Europeia e Reino Unido. Com a saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado Brexit), os novos volumes e percentuais das cotas existentes serão reavaliados e poderão sofrer alterações em cada segmento de produto.

No cenário nacional, o setor enfrentou a reação tímida dos números da economia, mas avalia de forma otimista alguns avanços do Governo para a melhoria do ambiente de negócios, com medidas de incentivo ao crescimento da economia e do consumo, bem algumas medidas de desburocratização, a revisão das NR´S, a reavaliação do e-Social e Bloco K, eliminação da multa dos 10% do FGTS entre outras. Essas medidas, somadas ao aumento da confiança do empresariado e do consumidor, indicam um ano mais próspero para o país e, com isso, oportunidades de negócios para todo o setor madeireiro.

Dessa forma, as expectativas são positivas, com a projeção de crescimento e retomada da economia em 2020 conforme dados divulgados pelo IBGE e do aumento da confiança tanto do empresariado e do consumidor para com as ações que estão sendo tomadas pelo governo para a melhoria do ambiente de negócios. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) anunciou que a construção civil pode crescer 3% este ano, o que possibilitaria a geração de 150 a 200 mil empregos formais até dezembro. O segmento é um dos principais nichos para os produtos de madeira no Brasil. A projeção baseia-se no atual cenário de juros baixos e inflação controlada no País. A possibilidade real de negócios no mercado doméstico pode impactar de forma positiva o setor madeireiro. Atrelado a isso, a iminência da aprovação da norma para o sistema construtivo wood frame também significa um novo impulso para o consumo de produtos de madeira na construção civil.

Certamente, 2020 será de muito trabalho, articulação e escolhas de rota para cada uma das empresas associadas. Iniciamos um novo ano com expectativas promissoras, mas certos de que novos desafios já começam a surgir. A associação e a força que o associativismo carregam farão a diferença nas conquistas futuras e no cenário que teremos para retratar ao final deste ano.

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)