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Um fio de esperança

31/05/2016

Maio/2016

Estamos diante de um novo momento e de uma nova possibilidade para o país. Um governo interino que tem a chance de fazer as mudanças necessárias e urgentes das quais tanto o Brasil precisa. Mudanças essas que podem representar o renascimento da Nação, se aqueles que assumiram o governo federal tiverem o compromisso com o desenvolvimento econômico e, principalmente, com o futuro. 

Somos sabedores do estado de penúria que nossa economia se encontra, que somado ao gigantesco déficit das contas públicas apresentadas quando da troca do governo federal, nos esclarece, de forma cristalina, que o caminho será longo e amargo para que país tome o rumo e volte aos trilhos. E, infelizmente, o setor produtivo não está imune a esse cenário.

Ninguém mais suporta políticas partidárias. Ainda mais o setor produtivo! É praticamente desumano termos regras produtivas, econômicas, de sustentabilidade e competividade interna e externa definidas, articuladas e aprovadas por quem (na maioria dos casos de nosso legislativo e executivo) não produz absolutamente nada nesse país. E, como sabemos, praticamente não somos ouvidos para nenhum tipo de decisão estratégica, a não ser na hora de pagar a conta, como agora, quando estamos diante da real possibilidade de serem criados novos impostos para diminuir o tamanho do buraco apresentado a todos nós brasileiros.

Precisamos, mais do que nunca, de políticas públicas que superem os desejos particulares de um grupo político ou de outro. É passada a hora de o poder público arregaçar as mangas e trabalhar efetivamente. Porque é isso que o setor privado tem feito, apesar de todos os governos que por lá passaram. 

As expectativas sob esta atual gestão é alta e a vigilância acerca da conduta também. Se antes fomos protagonistas como setor produtivo ao nos posicionar a favor do impeachment, agora permanecemos em alerta quanto aos desvios de conduta e mau uso do dinheiro público. 

A Abimci, como entidade representativa de um importante setor que gera riqueza econômica e social para o país, viu ao longo dos últimos anos, diante de uma paralisia preocupante do governo federal, suas ações e pleitos ficarem praticamente estacionados. Agora, esperamos ter a oportunidade de retomar o diálogo e renovar os protocolos, que tratam de defesas justas e reais para a indústria nacional, junto aos diferentes Ministérios e órgãos federais.

O momento é sim de mais trabalho, dedicação e comprometimento com tudo aquilo que possa resultar em desenvolvimento econômico e social, em consumo consciente, em oportunidades de negócios nos mercados interno e externo. É hora, acima de tudo, de mantermo-nos alinhados e fortes para cobrar esses resultados.   

Não podemos perder esse momento da história, sendo passivos e acharmos que tudo irá se resolver facilmente daqui para frente. Precisaremos atuar em todas as frentes possíveis. Estamos presenciando absurdos diários, em todas as mídias disponíveis, que nos mostram uma crise ética e de princípios sem precedentes, que minam as forças do país. Se a maioria dos leitores desta coluna já não se sente forte ou motivado o suficiente para continuar a lutar e testemunhar as mudanças positivas que estão por vir, que façamos isso por nossos filhos e futuras gerações. Eles irão nos agradecer por termos mais esse fio de esperança.

 

Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)