Abimci apresenta impactos da taxação dos EUA em audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná
Setor madeireiro chama a atenção para o agravamento da crise que pode gerar novas demissões, caso a situação não seja revertida
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e representantes de indústrias associadas participaram, nesta segunda-feira (29), de audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), sobre os ‘Efeitos e Consequências da Não Negociação com o Governo Americano a respeito das Tarifas’. A audiência foi conduzida por Alexandre Curi, presidente da Casa, e contou com a presença de deputados, empresários, representantes do governo do Estado e do Poder Público para discutir medidas e caminhos para reduzir os impactos sociais e econômicos da tarifação, bem como ações para sensibilizar o governo federal sobre a necessidade de negociação.
O presidente Alexandre Curi reconheceu a gravidade da situação por que passa o setor e se comprometeu em aplicar o regime de urgência a quaisquer proposições relativas ao assunto que sejam apresentadas na Alep, o que permitiria a tramitação em até 48 horas. “O setor madeireiro foi o mais afetado por essa taxação, com quase 5 mil pessoas demitidas e muitos funcionários trabalhando em casa, prestes a serem demitidos. É um momento de reunir forças para ajudar esse setor”.
Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci, apresentou os números e informações sobre os impactos da taxação dos Estados Unidos sobre o setor madeireiro, citando as mais de 4 mil demissões que já ocorreram, aproximadamente 5.500 funcionários em férias coletivas e cerca de 1.100 em layoff. Segundo ele, a situação pode se agravar ainda mais nos próximos meses. “Se as tarifas permanecerem por mais 60 dias, a previsão é de termos mais 5 mil demissões”, disse. Ele também ressaltou o impacto da crise nos pequenos municípios onde se concentram a maioria das indústrias do setor.
Pupo citou, ainda, que as tarifas mais baixas aplicadas a outros países geram uma concorrência desleal, tornando impraticável a competição para o Brasil que enfrenta a maior taxa nominal do mundo. “Os nossos vizinhos têm taxas de 10%, a Europa 15% e a Indonésia 19%. No Vietnam, 20%, e na China, 35%. Assim estaremos fora do jogo”. Ele citou a preocupação com a perda definitiva de share de mercado. “Os clientes norte-americanos vão achar um novo fornecedor e perderemos o mix que construímos em 30 anos”.
O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, chamou a atenção para o agravamento da crise: “Se não houver reação rápida, teremos ainda mais fechamentos de postos de trabalho nas próximas semanas”. Ele sugeriu a criação de um comitê de crise para acompanhar de perto os impactos da tarifação norte-americana sobre as indústrias. “É hora de união e de ação concreta. Precisamos que o governo federal abra negociações urgentes com os EUA, mas também que tenhamos mecanismos de acompanhamento e apoio imediato às empresas e trabalhadores.”, acrescentou.
Durante a reunião, o secretário de Estado da Fazenda, Norberto Ortigara, anunciou que o governo do Paraná encaminhará uma proposição à Alep pedindo autorização para a compra direta de crédito, com recursos a serem disponibilizados a curto prazo e sem parcelamento para auxiliar as empresas. A medida está sendo finalizada pela equipe econômica e deve ser enviada ainda nesta semana.
A Fiep também listou demandas prioritárias, como a liberação de ICMS para as empresas afetadas, uma linha de financiamento emergencial do BNDES, a reativação do programa Seguro-Emprego (PSE) e a ampliação do Reintegra.
Mobilização por medidas efetivas ao governo estadual
Na segunda agenda do dia, a Abimci, juntamente com a Fiep e representantes do setor madeireiro, reuniram-se com o secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, para reforçar os pedidos de adequação das medidas estaduais anunciadas para as indústrias exportadoras. Segundo os empresários, as ações disponibilizadas não atendem às reais necessidades do setor produtivo tanto com relação a valores, quanto com relação aos prazos.
Em resposta, o secretário estadual da Fazenda alegou que vai intensificar a dedicação do quadro de servidores para agilizar as homologações. “Criamos uma estratégia mais rápida para dar vazão aos créditos do ICMS”. Ele acrescentou que a Secretaria vai estudar outras formas de redução de tributos e tentar acelerar os processos de financiamento no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Na reunião também foi reforçado o pedido da instalação de um comitê de crise envolvendo entidades representativas e de órgãos governamentais para acompanhar a aplicação e efetividade das medidas.
Para ampliar a mobilização, o parlamentar federal Pedro Lupion (PP), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara dos Deputados, anunciou a realização de uma reunião em Brasília para levar a situação das indústrias madeireiras aos demais deputados.