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Exportação
14/11/2025

Exportações de madeira para EUA caem em média 55% em três meses de taxação


Queda atinge os principais segmentos do setor, que enfrenta riscos de mais demissões.

As exportações brasileiras de produtos madeireiros para os Estados Unidos registraram queda média de 55% nos primeiros três meses de vigência da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, conforme análise da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) a partir dos dados da SECEX/MDIC, divulgados no dia 6 de novembro.

De acordo com o levantamento, entre agosto e outubro, houve quedas significativas nos volumes destinados aos EUA, principal mercado para muitos dos produtos brasileiros de madeira, como molduras, compensado, madeira serrada, portas e pisos.

Os dados demonstram a progressão em cadeia dos impactos gerados pela taxação: sem o mercado americano, as empresas necessitam reduzir ou até paralisar a produção. Com os parques fabris produzindo abaixo da capacidade, há milhares de funcionários em férias coletivas, layoff, além de demissões que já ocorreram. O mercado acumula quatro meses de retração contínua, que começou em julho, com o anúncio da taxação e agravamento ao longo do período seguinte, de três meses.

O superintendente da Abimci, Paulo Pupo, avalia que, sem avanços concretos nas tratativas envolvendo as taxas, a tendência é de piora desse cenário. “A única solução passa pelo avanço efetivo nas negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para que as tarifas sejam readequadas e o comércio entre os dois países se normalize. No entanto, o que temos assistido é a falta de ações práticas e de agendas eficazes nessas tão necessárias negociações”, argumenta.

Pupo ressalta que, além de todo esse cenário, há outro fator preocupante para o setor de madeira processada brasileira. “Quanto mais o tempo passa sem indícios reais de avanço nas negociações, maior o risco de os produtos brasileiros serem gradativamente substituídos no mercado norte-americano. Os clientes e importadores começam, naturalmente, a buscar suprimento e fornecedores em países com taxas menores, e o Brasil está muito exposto nesse movimento, pois tem hoje a maior taxa nominal do mundo. A falta de progresso nas negociações está comprometendo um relacionamento comercial construído ao longo de décadas e um importante share de participação naquele mercado”, assinala.

A entidade reforça que é preciso urgência na negociação bilateral e ações efetivas para que sejam preservados o futuro de empresas e de empregos.