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03/07/2026

Posicionamento da Abimci sobre possível taxação dos Estados Unidos

Íntegra da Nota

Abimci estrutura defesa do setor madeireiro diante de nova ameaça tarifária dos Estados Unidos

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), entidade representativa dos setores de madeira processada e de base florestal, alerta sobre os graves efeitos das tarifas propostas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que, caso sejam implementadas, poderão comprometer a competitividade do setor madeireiro nacional naquele mercado.

O setor contribui significativamente para a economia brasileira, com uma base industrial moderna, de grande potencial produtivo e de geração de emprego e renda, com cerca de 180 mil empregos diretos. A grande maioria da produção se concentra nos estados da região Sul, que respondem por aproximadamente 90% da capacidade produtiva instalada do setor, especialmente em pequenos e médios municípios.

Nossa participação na balança comercial brasileira é expressiva. Somente para os Estados Unidos foram exportados cerca de US$ 1,2 bilhão em produtos de madeira processada em 2025. Em média, 50% das exportações do setor têm como destino o mercado norte-americano, principal comprador de diversos segmentos de produtos da indústria brasileira de madeira processada.

O setor ainda enfrenta os reflexos das medidas tarifárias aplicadas pelos Estados Unidos no ano passado, quando os produtos brasileiros foram submetidos a tarifas que chegaram a 50%. Após meses de retração da atividade, redução da produção, demissões e insegurança comercial, as empresas estavam recuperando o mercado norte-americano de forma gradual.

No entanto, antes mesmo da consolidação desse movimento de recuperação, o setor madeireiro foi novamente surpreendido pela possibilidade de novas tarifas que poderão impactar a competitividade dos produtos brasileiros frente aos demais países concorrentes no mercado norte-americano. A publicação do relatório final da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sob a Seção 301 contra o Brasil está recomendando uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Embora o anúncio do USTR ainda não constitua medida definitiva e esteja sujeito aos procedimentos previstos na legislação norte-americana, incluindo consulta pública e audiência pública antes de eventual implementação, a notícia abalou o mercado.

Os impactos potenciais dessas medidas são significativos. Além das consequências das novas tarifas, preocupa o fato de que concorrentes internacionais poderão operar com tarifas menores, ampliando ainda mais a perda de competitividade da indústria brasileira.

Após a publicação do relatório final da investigação da Seção 301 pelo USTR, a Abimci intensificou sua atuação na construção da defesa setorial, coordenando uma ampla mobilização técnica, jurídica e institucional para subsidiar os argumentos da indústria brasileira de madeira processada perante as autoridades norte-americanas.  

A entidade protocolou sua manifestação institucional junto ao USTR, destacando o papel das florestas plantadas como principal fonte de suprimento para a indústria madeireira, o manejo sustentável, as boas práticas adotadas pelo setor, os sistemas de controle e rastreabilidade e o rigor no atendimento às regulamentações previstas na legislação brasileira.

A argumentação da defesa também busca demonstrar a relevância dos produtos brasileiros para o mercado norte-americano, sua complementaridade em relação à produção local, a inexistência de concorrência direta com a indústria dos Estados Unidos e a dificuldade de substituição por fornecedores de outros países.

Além da defesa setorial da Abimci, os segmentos de portas, compensados, molduras, pisos e madeira serrada também protocolaram suas defesas junto ao USTR.

Em paralelo, a entidade orientou as empresas associadas a solicitar apoio de seus clientes e parceiros comerciais nos Estados Unidos na defesa dos produtos brasileiros.