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06/03/2023

Madeira engenheirada em construções é tema de seminário e exposição em Curitiba

O mercado da construção civil tem vivido uma revolução no que tange o uso de materiais construtivos sustentáveis. Neste contexto, a madeira engenheirada ganha relevância para o uso estrutural e iniciativas já podem ser vistas em diversos países da Europa e América do Norte. Com o intuito de discutir sobre as vantagens de utilização do material e trazer atualizações sobre os avanços da construção de casas com madeira no Brasil foi realizada nesta segunda-feira (06), em Curitiba (PR), no Campus da Indústria da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) um seminário técnico sobre os temas, seguindo da exposição, a Woodlife Sweden.

Esta mostra, que conta com 40 projetos, já percorreu outros países, apresenta aos visitantes projetos de várias escalas e de toda a Suécia, que fazem uso da madeira engenheirada, um material que surge a partir de processos industriais para que a madeira ganhe resistência, durabilidade e qualidade.

Compreendendo o potencial da madeira engenheirada para o mercado nacional, a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) apoiou a realização do evento e contribuiu com a estruturação da pauta tratada durante os painéis técnicos, dando especial atenção a questão do suprimento florestal e o desenvolvimento de normas técnicas para os produtos de madeira utilizados na construção civil. “Nosso objetivo foi apresentar ao setor industrial madeireiro as iniciativas que estão sendo executadas ao redor do mundo e as oportunidades para o mercado brasileiro”, justificou o superintendente da Abimci, Paulo Pupo.

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Experiência sueca de construção sustentável em madeira foi o primeiro tema apresentado no seminário técnico pelo arquiteto e parceiro da White Arkitekter, Robert Schmitz. Em sua fala, ele apresentou obras suecas com o uso de madeira engenheirada, em especial, o Sara Cultural Centre, centro cultural de 17 mil metros quadrados, o complexo abriga um hotel de 20 andares e 75 metros de altura, um dos edifícios mais altos do mundo em madeira engenheirada, construído com Glulam (Glued Laminated Timber) e CLT (Cross-Laminated Timber).

Schmitz contou que a busca por materiais alternativos foi estimulada pelo conhecimento de que 40% das emissões de CO2 no mundo são originárias do setor da construção e que o segmento também é responsável por 30% dos resíduos gerados na Suécia. Neste contexto, a madeira surgiu como principal solução. As construções com a matéria-prima, além de emitir menos gases de efeito estufa, sequestram carbono durante o crescimento das árvores. “Uma edificação como esta sequestra o dobro do carbono que emite, então podemos afirmar que é um prédio carbono negativo”, disse.

Na sequência o ex-ministro da Fazenda e atual diretor de estratégia econômica e relações com mercados do banco Safra, Joaquim Levy e o presidente da Fiero (Federação das Indústrias de Rondônia), Marcelo Thomé, participaram de um painel sobre a financiabilidade da construção sustentável em madeira no Brasil. Ambos frisaram que existem oportunidades de financiamento e crescimento para o uso do material, mas que a normalização dos produtos e sistemas é primordial para ampliar o acesso a financiamentos. “Para que as instituições financeiras disponibilizem recursos há a necessidade de que haja escala de produção, dados que confirmem a segurança das obras com mass timber e consumo por parte da sociedade”, afirmou o ex-ministro da Fazenda.

Outro assunto tratado foi a regulamentação do mercado de carbono no Brasil que está em tramitação no Congresso Nacional. “Para ter um diferencial de financiamento verde é importante ter um mercado de carbono, de tal maneira que aquele carbono que você deixou de emitir tenha valor para algum outro agente. Num mercado como esse, a construção em madeira poderá ser uma fornecedora de créditos de carbono”, disse.

Já Marcelo Thomé falou sobre o Instituto Amazônia 21. A organização reúne as Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, com o objetivo de estruturar projetos que possam se beneficiar de linhas de financiamento voltadas para sustentabilidade. “Já sabemos que existem recursos governamentais disponíveis para financiamento, mas faltam projetos. Para que possamos fabricar CLT no futuro, na região amazônica, precisamos ampliar nossa base florestal com espécies adequadas para o produto”, defendeu.

O painel técnico tratou sobre aspectos essenciais para que o Brasil consiga evoluir na utilização da madeira engenheirada na construção civil, para tanto foi tratada a produção e condução florestal, os processos de industrialização e os avanços na norma wood frame no Brasil. O painel, mediado pelo assessor parlamentar e empresarial da presidência do CREA-PR, Euclesio Finatti, teve a participação de Erich Schaitza, chefe-geral da Embrapa Florestas; Patrick Reydams, diretor de operações da Urbem; e Guilherme Stamato, diretor-executivo da Stamade.

O chefe-geral da Embrapa Florestas, Erich Schaitza, abriu o painel apresentando um overview da situação florestal no Brasil, as possibilidades de ampliação das técnicas de manejo e as vantagens competitivas das florestas plantadas. “O crescimento das espécies pinus e eucalipto estão acima da média mundial, as rotações são de ciclo curto, boa parte da base florestal é certificada. Todos estes aspectos proporcionam a matéria-prima para uma indústria diversificada de produtos madeireiros. Não podemos esquecer que os sistemas de produção são eficientes em termos de carbono e rentáveis em diferentes escalas”, ponderou.

Patrick Reydams, COO da Urbem apresentou falou sobre o mass timber e o que está sendo feito ao redor do mundo com a madeira engenheirada e também no Brasil. “Qualquer madeira que passou por um processo de usinagem pode ser chamada de madeira engenheirada. Mas compreendo que o principal diferencial seja a possibilidade de se construir em madeira com cada produto fazendo seu melhor papel”, afirmou.

Os avanços da norma de casa com wood frame foram apresentados por Guilherme Stamato, diretor executivo da Stamade. “Iniciamos os trabalhos relacionados à norma ainda em 2010 e estamos na eminência da sua publicação pela ABNT. Com ela haverá escala de produção e poderemos contribuir para a redução do déficit habitacional”, prospectou. Ele também falou sobre a necessidade da existência da norma para que barreiras culturais sejam superadas. “Com a publicação da norma haverá aumento da demanda por pequenos e médios construtores e maior competitividade”, prospectou.