Abimci defende setor madeireiro em audiência pública do USTR nos EUA
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) participa, nos próximos dias 6 e 7 de julho, de audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington (EUA), para defender a indústria brasileira de madeira processada diante da proposta de aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
A Abimci apresentará a defesa do setor destacando o papel das florestas plantadas brasileiras como principal fonte de suprimento para a indústria madeireira, o manejo florestal sustentável, as boas práticas adotadas pelo setor, os sistemas de controle e rastreabilidade da cadeia produtiva e o rigor da legislação ambiental brasileira.
“Nosso objetivo é demonstrar que a indústria brasileira de madeira processada é sustentável, segue rigorosamente os regramentos ambientais nacionais, atende às exigências internacionais e é estratégica para o mercado norte-americano. Os produtos brasileiros complementam a produção e a demanda dos Estados Unidos, não representam concorrência e são fundamentais para diversos segmentos da economia americana”, afirma Paulo Pupo, superintendente da Abimci.
Mobilização
Após a publicação do relatório final da investigação da Seção 301 pelo USTR, a Abimci coordenou uma ampla mobilização técnica, jurídica e institucional para consolidar a defesa do setor. A entidade estruturou grupos de trabalho juntamente com assessorias jurídicas especializadas para elaborar as argumentações. Além da defesa setorial da Abimci, os segmentos de portas, compensados, molduras, pisos e madeira serrada também protocolaram suas defesas junto ao USTR.
Em paralelo, a entidade orientou as empresas associadas a solicitar apoio de seus clientes e parceiros comerciais nos Estados Unidos na defesa dos produtos brasileiros, reforçando a sua importância para a economia norte-americana e defendendo a manutenção de seu acesso àquele mercado.
Representantes da Abimci estarão em Washington participando das audiências públicas e apresentando presencialmente a defesa institucional da indústria brasileira de madeira processada.
Entenda o caso
Em junho deste ano, o USTR publicou o relatório final da investigação da Seção 301, iniciada em julho de 2025 contra o Brasil, recomendando a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O órgão também publicou um segundo relatório relacionado ao combate ao trabalho forçado envolvendo 60 países, entre eles o Brasil, no qual propõe uma tarifa adicional de 12,5%. Ambas as propostas ainda dependem da conclusão dos procedimentos administrativos previstos na legislação norte-americana.
“Se for aprovada a aplicação dessas novas tarifas, em especial a de 25%, que é específica contra o Brasil, a competitividade da indústria brasileira de madeira processada nos Estados Unidos será prejudicada”, afirma Pupo. Segundo ele, representará mais um desafio para um setor que ainda se recupera dos impactos causados pelas tarifas anteriormente aplicadas.
Cerca de 50% do total das exportações de produtos de madeira do Brasil têm como destino os Estados Unidos, mercado que absorveu aproximadamente US$ 1,2 bilhão em produtos brasileiros de madeira processada em 2025.
A entidade também publicou uma nota de posicionamento alertando para os impactos econômicos e sociais que as novas tarifas poderão causar à indústria madeireira, defendendo uma atuação efetiva do governo brasileiro junto aos Estados Unidos para preservar o relacionamento comercial entre os dois países.